A Criada (The Handmaiden): Psicanálise do Desejo, Fetichismo e Feminilidade
- Dan Mena Psicanálise

- 16 de nov. de 2025
- 25 min de leitura
Atualizado: 14 de dez. de 2025

A Criada (The Handmaiden): Psicanálise do Desejo, Fetichismo e Feminilidade A Criada: O Convite ao Inconsciente e a Estética do Segredo
A tela se abre e, em vez de um conto de época polido, somos atirados em um turbilhão de seda, olhares furtivos e segredos sussurrados.
"A Criada" (The Handmaiden) não é um filme para ser assistido passivamente. Park Chan-wook, mestre da subversão, nos intima a um banquete visual onde a opulência esconde a podridão, e a beleza é a máscara da manipulação.
Ambientado na Coreia sob o jugo japonês, o filme pulsa com uma energia de rebelião silenciosa, onde os corpos se tornam campos de batalha e o amor, uma arma muito afiada. Esqueça os filmes de época previsíveis. A Criada (The Handmaiden): Psicanálise do Desejo, Fetichismo e Feminilidade" é um caleidoscópio de verdades distorcidas.
Um jogo de gato e rato onde os papéis se invertem sucessivamente a cada reviravolta. A trama seduz, envolve e, no momento em que pensamos ter compreendido tudo, nos joga de volta à estaca zero.
Mais do que um ''thriller'' erótico, é um estudo da psique extremamente elaborado.
Essa dissecação psicológica que pretendo fazer da obra, está armada com as ferramentas da psicanálise e disposta a desenterrar os segredos mais bem guardados de seus personagens.
Desvendar os nós da mente de Sookee, Hideko e Fujiwara é desenredar os nossos próprios. Está avisado(a): o que você encontrará pode mudar a forma como você vê o cinema, e a si mesmo(a).
O que eu proponho é uma Análise Psicológica Definitiva feita nas entranhas da narrativa e dos personagens, utilizando o rigor conceitual das principais correntes psicanalíticas.
Longe de ser um simples resumo, quero derrubar as camadas ocultas do filme, aquelas que ressoam principalmente com as dores inconscientes, as fantasias e as obsessões que habitam o público.
Em sua estrutura de três atos com pontos de vista alternados, cria uma metáfora da própria análise, onde a verdade emerge em partes fragmentadas, exigindo do espectador uma constante reavaliação de suas certezas. A trama central, que envolve a jovem batedora de carteiras Sookee, o golpista que se apresenta como Conde Fujiwara, e a rica herdeira japonesa Lady Hideko, é o palco perfeito da encenação para um jogo de manipulação que rapidamente se transforma em uma intensa e inesperada história de desejo e libertação.
A abordagem do filme é basicamente ligada a temas de altíssimo interesse e demanda cultural: Dinâmicas do Desejo, Fetichismo e a Construção da Feminilidade.
Park Chan-wook utiliza o erotismo não como um fim em si, mas como uma lupa para expor a violência estrutural e a repressão.
A mansão onde Hideko vive, um híbrido arquitetônico de estilos japonês e ocidental, é o útero do recalque repressivo, um espaço onde a tirania da perfeição e o voyeurismo sádico do Tio Kouzuki aprisionam o arcabouço da sexualidade e identidade da herdeira. Meu olhar crítico vai se concentrar em como o filme dialoga com a teoria de Freud sobre as pulsões e o trauma, a noção de Lacan sobre o desejo como falta e o gozo feminino, os arquétipos Sombra de Jung, e as dinâmicas de clivagem e falso self de Klein e Winnicott.
Destarte, meu texto, busca incansavelmente a robustez teórica e o suporte acadêmico, se mantém acessível, poético e envolvente, transformando a leitura em uma oportunidade de aprendizado e autoconhecimento para todos os interessados.

Contextualização Histórica e Cinematográfica de A Criada
O filme se passa na Coreia da década de 1930, excelente ambientação, um período turbulento e de perda de identidade nacional sob o domínio japonês.
Essa opressão histórica serve como pano de fundo para o despotismo pessoal e sexual sofrido por Hideko. O diretor Park, conhecido por sua "Trilogia da Vingança" (Mr. Vengeance, Oldboy, Lady Vengeance), mais uma vez abre a temática da revanche, mas a eleva a um novo patamar, a transformando em um ato de auto-libertação e solidariedade feminina.
A estética trabalhada do filme é um personagem à parte, com o uso magistral da cor, da luz e do enquadramento para sublinhar a tensão psicológica e a dualidade entre a beleza e a perversão.
A Promessa de uma Análise Inquisidora do Filme
Ao longo deste artigo, vou apurar o perfil psicológico e analítico dos protagonistas, já adianto, a produtora (Moho Film), o ano de produção (2016), o diretor (Park Chan-wook) e os três principais protagonistas (Lady Hideko, Sookee e o Conde Fujiwara).
A análise será um olhar original e inédito, usando a visão psicanalítica, o impacto social, e o olhar contemporâneo para traçar um perfil que vai além da superfície da trama.
Essa imersão no lado inconsciente de "A Criada", descortina a erotização traumática e a tirania da perfeição, caminhos que se cruzam e encontram com a pulsão de vida e a potência da aliança feminina.
Dinâmicas de Poder, Voyeurismo e o Fetichismo em A Criada
O cenário de "A Criada" é um microcosmo orgânico da repressão e da perversão. A mansão de Kouzuki, é uma representação material do inconsciente de Hideko e da estrutura de poder que a aprisione inicia com a chegada de Sookee, a criada, que é, na verdade, uma batedora de carteiras infiltrada pelo Conde Fujiwara para manipular Hideko e roubar sua herança.
Este triângulo inicial estabelece imediatamente uma enigmática dinâmica de poder, onde todos são, a princípio, manipuladores e manipulados.
A Arquitetura da Repressão
A mansão é o primeiro grande fetiche do filme, ela é um objeto de desejo e de horror. Sua biblioteca secreta, onde o Tio Kouzuki obriga Hideko a ler textos eróticos para uma plateia de homens, é o centro representativo da violência simbólica.
O espaço é projetado para o voyeurismo, uma das perversões centrais que quero explorar do filme. Kouzuki não apenas deseja o corpo de Hideko, mas anseia sua submissão, a sua voz lendo a devassidão, a transformam em um objeto de consumo intelectual e sexual.
O fetichismo, aqui manifestado na substituição do objeto sexual por um objeto - parte do corpo (os livros, a voz, as luvas de Hideko), carregam também a própria estrutura da opressão, onde a herança e a pureza forçada de Hideko se tornam os (prêmios) a serem possuídos.
O Olhar Sádico e a Tirania da Perfeição (Kouzuki)
O Tio Kouzuki encarna claramente o ‘’superego sádico’’ e a ‘’tirania da perfeição’’. Ele exige de Hideko uma atuação performática impecável da dama japonesa, uma máscara social que esconde o trauma e a dissociação.
Seu sadismo não é apenas físico, mas psicológico, ao forçar a sobrinha a reviver o trauma da mãe e a se tornar a leitora de seus legados textos pornográficos.
O Conde Fujiwara, por sua vez, é o narcisista manipulador, que usa o charme e a promessa de liberdade como iscas de atração. Ambos, são genuínos delegados da figura masculina despótica que tenta objetificar e controlar o feminino.
A Erotização do Conflito
A relação entre Sookee e Hideko começa como uma estratégia de manipulação, mas rapidamente se transforma em uma conexão genuína e libidinosa. O conflito, a tensão da traição iminente, é erotizado.
Este desejo que surge entre elas é um querer de fuga, de cumplicidade e de reconhecimento mútuo, que se opõe ao desejo perverso e objetificador dos homens.
O filme subverte a expectativa do espectador ao transformar a relação lésbica, que poderia ser vista como um fetiche masculino, em um ato de resistência e de amor verdadeiro, uma aliança contra a tradição do patriarcado.
De que forma a arquitetura da mansão funciona como um dispositivo de aprisionamento psíquico para Lady Hideko?
O desejo que surge entre elas é uma pulsão de vida autêntica ou uma reação traumática à opressão masculina?
Como o filme utiliza o voyeurismo para criticar a objetificação feminina em vez de apenas reproduzi-la?
"O fetichismo, no cinema de Park Chan-wook, não é a perversão do objeto, mas a corrupção da estrutura de poder que o cria, onde o desejo de posse se confunde com a pulsão de controle." Dan Mena.
Pulsões, Trauma e o Sintoma no Corpo da Narrativa
O prisma de Freud é indispensável para encurralar as forças motrizes inconscientes que operam em "A Criada". O filme é um campo aberto de conceitos como as pulsões, o trauma, o recalcamento e a compulsão à repetição.
A narrativa é construída sobre uma base de violência e segredos que remetem diretamente à teoria da ''etiologia das neuroses''.
O Recalcamento e a Histeria de Hideko
Lady Hideko é a personificação do recalcamento com seu comportamento inicialmente frio, distante e sua aparente submissão ao Tio Kouzuki.
São sintomas de um trauma: a morte de sua mãe, que se enforcou na árvore de cerejeira do jardim, e a subsequente escravidão sexual e psicológica a que é submetida.
Esse embate, na visão freudiana, é um evento que a psique não consegue integrar, sendo expulso para o inconsciente (recalcamento), mas que retorna sob a forma de sintomas.
A performance de Hideko como leitora de pornografia é o resultado que a aprisiona, um retorno forçado do choque que a impede de viver seu próprio desejo.
A Pulsão de Morte e a Repetição Traumática
A pulsão de morte (Thanatos), como tendência inerente do organismo a retornar a um estado inorgânico, se manifesta em Hideko através de sua ideação suicida e de sua passividade diante do plano de fuga.
Ela está presa em uma compulsão repetitiva, revivendo o trauma de sua mãe e o seu próprio, como se o inconsciente tentasse, sem sucesso, dominar o evento.
A pulsão de vida (Eros), por outro lado, emerge na relação com Sookee, o amor e a cumplicidade entre as duas são a força que se opõe à pulsão destrutiva, um ato de sobrevivência psíquica que busca a união e a integração. "No inconsciente, o trauma não é evento passado, mas o que molda o desejo, transformando a repressão em ato de libertação existencial." Dan Mena
O Complexo de Édipo Invertido e a Transferência
Embora a obra não se concentre no ''Complexo de Édipo'' clássico, a dinâmica familiar distorcida sugere um complexo invertido, onde a figura do Tio Kouzuki ocupa um lugar de poder paterno cruel. Mais relevante aqui é o ''conceito de transferência''.
Sookee, a princípio, transfere para Hideko a compaixão e o desejo de proteção, enquanto Hideko projeta em Sookee a possibilidade de salvação e de um amor puro, não contaminado pela depravação masculina.
A relação terapêutica e erótica que se estabelece entre elas é uma transferência positiva que permite a ambas a reescrita de seus destinos cruzados.
A Erotização Traumática e a Metáfora Libidinal
A erotização traumática se encaixa perfeitamente na análise do filme. A sexualidade de Hideko é despertada e moldada em um contexto de violência e opressão.
O prazer que ela é forçada a simular ou a sentir durante as leituras eróticas é uma defesa, uma forma de controle sobre o incontrolável.
O filme, ao expor essa dinâmica, transforma a violência em uma metáfora libidinal, onde a luta pelo poder e pela sobrevivência se confunde com a expressão sexual.
A verdadeira liberação libidinal de Hideko só ocorre quando ela consegue redirecionar essa energia para a aliança com Sookee, assim, transforma a pulsão destrutiva em criativa.
Como a pulsão de morte se manifesta na estética visual do filme, especialmente nas cenas da biblioteca e do porão?
Qual o papel exato do recalcamento na construção da identidade de Lady Hideko antes de sua aliança com Sookee?
A vingança final das duas mulheres pode ser interpretada como uma superação da compulsão à repetição ou como um novo ato de violência catártica?
"O trauma não é o que aconteceu, mas o que a psique não conseguiu integrar; em 'A Criada', ele é o motor silencioso que impulsiona a narrativa em direção à catarse e à libertação." Dan Mena

A Falta, o Objeto a e a Estrutura do Gozo
O gozo e a linguagem que permeia "A Criada". O filme é um estudo de caso sobre a constituição do sujeito no campo do ‘’Outro’’ e a busca pelo objeto que, uma vez encontrado, se revela para sempre faltante.
O Desejo como Falta
Para Lacan, o desejo é a metonímia da falta-a-ser, a marca da perda primordial que constitui o sujeito.
Em "A Criada", o desejo não é a simples atração sexual, mas a busca por algo que preencha esse vazio existencial. Hideko deseja a liberdade, o amor e a anulação da tirania do Tio.
Sookee quer a riqueza e a ascensão social. O Conde Fujiwara foca na herança e no poder.
No entanto, o desejo mais potente é o que surge entre as duas mulheres, uma pela outra, fundem uma aliança que as retire do campo do Outro (o patriarcado e a opressão).
É um querer que se constrói na cumplicidade e na linguagem secreta, subvertendo a ordem simbólica imposta a elas.
O Objeto a e o Fetichismo como Suporte
O ‘’Objeto a’’ (objeto causa do desejo) é o resíduo inassimilável que cai do sujeito no processo de sua constituição primitiva. Em "A Criada", o fetichismo, central na trama, pode ser lido através desse conceito.
Os livros pornográficos, as luvas, o sino de ouro, a própria mansão, são símbolos objetuais que servem como suporte para o desejo perverso do Tio Kouzuki.
Eles são os fetiches que tentam tamponar a falta, a castração simbólica. Kouzuki tenta reduzir Hideko a um ‘’Objeto a’’ de seu gozo, a uma voz que lê a perversão.
A revolução do filme ocorre quando Hideko e Sookee destroem esses ícones (os livros), simbolizando a recusa em serem reduzidas a fetiches e a rejeição do gozo do Outro.
O Gozo Feminino e a Ruptura com o Falo
A obra aborda o ‘’gozo feminino’’ como conceito lacaniano no que se refere a um gozo "Outro", não totalmente capturado pela função fálica (a ordem simbólica masculina).
A sexualidade entre Hideko e Sookee é retratada como um prazer que se basta, que se constrói na reciprocidade e na cumplicidade, fora da lógica da penetração e da dominação.
É um júbilo que rompe com a estrutura patriarcal, um ato de transgressão que as liberta.
A cena final, com o sino de ouro, é a metáfora máxima dessa ruptura, onde o objeto de opressão é transformado em um objeto de prazer compartilhado, um símbolo da vitória sobre o gozo sádico do Outro. "A sexualidade, como pulsão freudiana, entrelaça o social e o poético, onde o corpo se torna tela para a narrativa da alma aprisionada." Dan Mena
A Triangulação Psíquica e a Lei do Pai
A estrutura da história, com o Conde Fujiwara e o Tio Kouzuki tentando controlar Hideko, estabelece uma triangulação psíquica insidiosa.
O Tio, como figura da Lei do Pai distorcida, impõe uma ordem simbólica baseada na perversão e na opressão.
O Conde atua como um falso mediador, um impostor que tenta se apropriar do lugar do Pai. A aliança entre Hideko e Sookee é a dissolução dessa triangulação, a recusa em se submeter à ‘’Lei do Pai Corrosiva’’.
Elas criam uma nova ordem, uma ‘’Lei da Mãe simbólica’’, baseada na cumplicidade e no amor, que permite a emergência de um desejo autônomo.
De que maneira a destruição dos livros pornográficos representa a recusa em serem objetos do gozo do Outro?
Como a linguagem (o japonês formal, o coreano coloquial) é utilizada para demarcar o campo do Outro e a subversão da ordem simbólica?
O que o "gozo Outro" das protagonistas revela sobre a possibilidade de uma sexualidade feminina autônoma e não-fálica?
"O desejo é a metonímia da falta, mas em 'A Criada', a aliança feminina transforma a falta em potência, e o objeto de opressão no ‘’objeto a’’ de uma nova liberdade." Dan Mena

A Emergência do Feminino Selvagem
A perspectiva da Psicologia Analítica de Jung enriquece a análise de "A Criada" ao focar nos arquétipos, na Sombra e no processo de individuação.
O filme é uma poderosa representação da emergência do feminino selvagem e da integração de aspectos reprimidos da psique.
A Sombra e a Projeção (Sookee e Hideko)
A Sombra é o lado obscuro da personalidade, tudo aquilo que o ego não reconhece em si e que é reprimido. Hideko, a dama refinada e submissa, projeta em Sookee, a batedora de carteiras, a sua soturnidade: a astúcia, a agressividade, a capacidade de transgressão e a sexualidade livre.
Sookee, por sua vez, projeta em Hideko a fragilidade, a sofisticação e a possibilidade de uma vida de beleza e conforto. A atração inicial entre elas é, em parte, uma atração pela Sombra, um reconhecimento inconsciente do que falta em si mesma.
O processo de individuação de ambas se inicia quando elas integram esses aspectos projetados, reconhecendo a astúcia em Hideko e a vulnerabilidade em Sookee.
O Arquétipo da Donzela e da Bruxa
Adentrando nos arquétipos femininos, Hideko é inicialmente a Donzela aprisionada, a vítima inocente, Sookee é a Bruxa (no sentido de mulher astuta e transgressora) que vem para dar sua libertação.
O Tio Kouzuki e o Conde Fujiwara representam o modelo do Senhor Sombrio ou do Velho Sábio Pervertido, figuras masculinas que tentam manter o feminino sob controle.
A reviravolta do filme é a subversão desses arquétipos onde a Donzela vira a Bruxa, a manipuladora, e a Bruxa se torna a heroína, a salvadora.
Essa construção da aliança entre elas é a união do feminino ferido com o selvagem, um ato de individuação coletiva.
A Conjunção Anima/Animus na Relação
A relação entre as duas mulheres também pode ser vista como uma Conjunção Anima/Animus, a união dos opostos interiorizados.
Hideko, com sua passividade e sensibilidade, representa a ‘’Anima’’ em sua forma mais reprimida. Sookee, com sua ação e determinação, manifesta um ‘’Animus’’ forte e ativo.
A união erótica e emocional entre elas é a busca pela totalidade psíquica, onde cada uma complementa e ativa o potencial da outra.
Essa liberdade que alcançam juntas é o símbolo da psique integrada, que superou a fragmentação imposta pelo trauma e pela opressão imposta.
O Simbolismo da Árvore e do Jardim
O jardim da mansão, com sua árvore de cerejeira onde a mãe de Hideko se enforcou, é um poderoso símbolo junguiano. Ela é o símbolo do Self e da vida, que aqui está ligada à morte e ao trauma.
O jardim, que deveria ser um espaço sagrado, é um ‘’place’’de opressão. A fuga de Hideko e Sookee do jardim e da mansão é a rejeição do ícone arquetípico da Mãe Terrível e a busca por um novo espaço de autonomia e independência.
A destruição do sino, que as aprisionava, é a quebra simbólica da coerção, permitindo que a energia psíquica antes ligada ao trauma seja liberada para a vida.
Como a integração da Sombra por Hideko e Sookee é visualmente representada na segunda e terceira partes do filme?
De que forma o Tio Kouzuki e o Conde Fujiwara falham em seu papel arquetípico de opressores, sendo superados pela astúcia feminina?
O que a Conjunção Anima/Animus entre as protagonistas sugere sobre a natureza do amor e da libertação em um contexto de trauma?
"A Sombra não é apenas o que se esconde, mas a potência que se recusa a ser vista; em 'A Criada', ela surgue como a força motriz da revolução psíquica e social." Dan Mena

Clivagens e o Falso Self: A Visão de Klein e Winnicott
A contribuição de Klein e Winnicott é a base de sustentação para entender as dinâmicas de fragmentação psíquica e a busca por um self autêntico, temas centrais em "A Criada".
O filme é um estudo sobre a sobrevivência psíquica em um ambiente de privação emocional, corrupção e violência.
A Posição Esquizo-Paranóide
Como a fase inicial do desenvolvimento, onde o bebê cliva o objeto (a mãe) em "bom" e "mau" para lidar com a ansiedade de aniquilamento.
Em Hideko, essa cisão é evidente, o mundo é dividido em opressores (o Tio, o Conde) e salvadores (Sookee, a princípio). A própria Sookee é clivada: ela é a criada leal e a traidora em potencial.
A clivagem é um mecanismo de defesa contra a ansiedade persecutória gerada pelo ambiente sádico da mansão.
A superação dessa posição, a integração dos objetos parciais em objetos totais (a aceitação da sofistificação de Sookee e de si mesma), é o que permite a Hideko a ação e a fuga.
O Falso Self (Winnicott) como Defesa
Vou usar este conceito para descrever essa máscara de conformidade que o indivíduo desenvolve para proteger o Verdadeiro Self em um ambiente que não oferece o holding (sustentação emocional) necessário.
Hideko é o exemplo máximo do Falso Self. Sua performance como Lady Hideko, a herdeira dócil e culta, é uma adaptação patológica às exigências perversas do Tio Kouzuki.
Ela vive para satisfazer o ‘’olhar do Outro’’, lendo os textos eróticos e mantendo a fachada de perfeição.
O Verdadeiro Self de Hideko, sua capacidade de amar, de desejar e de ser astuta, está escondido, esperando o momento de brotar. "O falso self winnicottiano emerge da tirania patriarcal, mas na aliança sororal, o verdadeiro eu floresce, poetizando a resistência." Dan Mena
O Holding e o Espaço Transicional da Liberdade
A relação entre Sookee e Hideko oferece o holding controlador que faltou a Hideko em sua infância. O holding seria aqui a capacidade do ambiente (ou do analista) de sustentar o indivíduo, lhe permitindo ser e existir.
Sookee oferece a Hideko um lugar seguro, um espaço transicional (Winnicott), onde ela pode brincar, experimentar a sexualidade e, finalmente, planejar sua soberania.
A cumplicidade e o cuidado mútuo são o âmbito facilitador que permite a Hideko abandonar o Falso Self e manifestar seu Verdadeiro Self, que é, ironicamente, tão astuto e manipulador quanto o de Sookee.
A Reparação e a Posição Depressiva
A aliança entre as protagonistas pode ser vista como um movimento em direção à ''Posição Depressiva'' (Klein), onde a culpa e a capacidade de reparação surgem. Sookee, ao se arrepender de sua traição inicial, busca reparar o dano que causou a Hideko.
Ela, ao expor sua verdadeira natureza e seu plano, busca reparar o dano que a opressão causou a si mesma.
A fuga e a destruição dos instrumentos de tortura são atos de reparação que visam restaurar o objeto (o self e o outro) que foi danificado pela violência.
De que forma a falta de holding na infância de Hideko a levou a desenvolver um Falso Self tão elaborado e convincente?
A aliança entre as duas mulheres pode ser vista como um ato de reparação (Klein) das fantasias destrutivas geradas pela opressão?
Qual o momento exato na narrativa em que o Verdadeiro Self de Hideko se manifesta de forma irreversível, rompendo com a tirania do Tio?
"O Falso Self é uma defesa desesperada contra a aniquilação, mas o holding do amor e da cumplicidade é o que permite ao Verdadeiro Self emergir e transformar a submissão em soberania." Dan Mena

A Construção da Feminilidade e a Crítica Social
"A Criada" é um poderoso comentário sobre a construção social da feminilidade e a crítica às estruturas patriarcais, especialmente em um plano de opressão histórica.
O filme desmantela a ideia de fragilidade feminina e a substitui por uma narrativa de resiliência, astúcia e solidariedade.
O Papel da Mulher na Coreia Ocupada
O cenário da Coreia dos anos 1930, sob o domínio japonês, amplifica a opressão de gênero. As mulheres, especialmente as de alta classe como Hideko, eram tratadas como objetos de troca, símbolos de status ou meras reprodutoras.
A mansão é um símbolo da sociedade patriarcal que as aprisiona.
A feminilidade é reduzida a uma performance de submissão e pureza forçada, enquanto a sexualidade é espoliada e mercantilizada (os livros pornográficos).
O filme critica essa estrutura ao mostrar que a verdadeira força reside na capacidade de subverter as expectativas e de criar laços de cumplicidade.
A Violência como Metáfora Libidinal
A violência no filme não é gratuita; ela é uma alegoria da agressão libidinal e estrutural. A opressão do Tio Kouzuki é uma brutalidade que tenta anular o desejo e a subjetividade de Hideko.
A hostilidade que as mulheres exercem (a traição de Sookee, a manipulação de Hideko, a vingança final) é uma resposta, um ato de resistência.
É a pulsão de vida que se manifesta através da agressividade necessária para a sobrevivência.
A cena em que Sookee e Hideko destroem a biblioteca é puramente simbólica, que destrói o falo opressor (os livros, a linguagem do Tio).
A Subversão da Norma e a Aliança Feminina
O ponto de reversão do filme é a descoberta de que as duas mulheres estão, na verdade, em uma aliança secreta. Esse pacto é a subversão máxima da norma.
Elas usam as regras do jogo masculino (a manipulação, a traição) para se evadirem. A relação lésbica, que poderia ser lida como um fetiche, é ressignificada como um ato político e emocional de resistência.
É a criação de um mundo só delas, um espaço onde o desejo é mútuo e a cumplicidade é inabalável. O filme celebra a potência da solidariedade feminina como a única via para a superação do jugo.
A Crítica à Mercantilização do Corpo e da Arte
O filme estende sua crítica para a mercantilização do corpo e da arte. O Tio Kouzuki transforma a literatura em pornografia e a sexualidade em um espetáculo sádico.
A arte, que deveria ser um veículo de transcendência, é reduzida a um objeto de consumo perverso.
Tal libertação das protagonistas é também a da sexualidade e da sua função manipuladora. Ao queimarem os livros, elas purificam o espaço simbólico e resgatam a possibilidade de uma expressão sexual autêntica.
Como a opressão da ocupação japonesa na Coreia se reflete na opressão de gênero sofrida por Lady Hideko?
A aliança entre Sookee e Hideko pode ser considerada um ato de sororidade ou é uma estratégia de sobrevivência mútua?
De que forma o filme desmantela a visão tradicional da mulher como vítima, transformando-a em agente de sua própria história?
"A verdadeira revolução feminina não está na negação do desejo, mas na sua reescrita, onde a cumplicidade se torna a arma mais potente contra a tirania do patriarcado." Dan Mena

Perfil Psicológico e Analítico dos Protagonistas
Para uma análise completa, vou traçar o perfil psicológico e analítico dos três protagonistas, entendendo suas motivações inconscientes e seus arcos psíquicos.
Lady Hideko: O Falso Self e a Astúcia da Sobrevivente
Lady Hideko, interpretada por Kim Min-hee, é a personificação do Falso Self winnicottiano. Sua performance inicial como a herdeira dócil e frágil é uma máscara de conformidade, uma defesa elaborada para proteger seu Verdadeiro Self da exploração sádica do Tio Kouzuki.
Sofre de um trauma e forte recalcamento de sua pulsão de vida. O Tio tenta lhe impor um Ideal do Ego perverso, a dama perfeita que lê pornografia para homens.
Sua curva psíquica é a mais dramática: da passividade suicida, ela se torna a agente de sua própria libertação, integrando a Sombra (a astúcia e a capacidade de manipulação) que ela inicialmente projetava em Sookee.
A caminhada culmina na reescrita de seu destino, um ato de soberania sobre o trauma.
Sookee: O Ego Forte e a Transformação pelo Amor
Sookee, interpretada por Kim Tae-ri, é a batedora de carteiras com um Ego Forte e pragmático, voltado para a sobrevivência. Inicialmente, ela é a agente do plano masculino, motivada pela ascensão social.
Eu vejo em seu perfil uma Sombra de vulnerabilidade e a capacidade de amar, que ela projeta em Hideko. A transferência positiva que se estabelece entre as duas é o catalisador de sua transformação.
Ela abandona o plano de traição e se torna a protetora e amante de Hideko. Sua metamorfose moral e emocional é substituída pela lealdade e o amor, provando que a verdadeira riqueza reside na autenticidade do vínculo.
Conde Fujiwara: O Narcisismo e a Perversão
Fujiwara, interpretado por Ha Jung-woo, e o Tio Kouzuki (Kouzuki, interpretado por Cho Jin-woong) são as figuras masculinas que encarnam o Narcisismo Patológico.
O Conde é um golpista que projeta uma imagem de nobreza, mas que vê os outros como meros objetos para a satisfação de seu desejo de riqueza e poder. Sua perversão é a manipulação e a objetificação.
O Tio Kouzuki, por sua vez, é o sádico que impõe a degeneração a Hideko. Ambos representam o Falo Opressor que tenta anular o desejo feminino.
Eles não possuem um propósito de mudança, apenas de punição, que é a metáfora da castração simbólica e da anulação do poder patriarcal pela astúcia feminina.
A vitória das mulheres é a destruição desse ideal tirânico e a aceitação de um self imperfeito, mas autêntico.
Como a relação de Hideko com o Tio Kouzuki moldou seu Ideal do Ego e sua percepção de si mesma?
A punição final do Conde Fujiwara é um ato de vingança ou uma necessidade psíquica para o fechamento do ciclo traumático?
O que a complexidade moral de Sookee (manipuladora e salvadora) revela sobre a natureza da heroína contemporânea?
"A máscara do narcisista é a sua prisão, mas a astúcia da sobrevivente é a chave que abre a porta para a liberdade e a reescrita do destino." Dan Mena

Colisões Internas e a Erotização do Conflito
A estrutura narrativa de "A Criada" é uma obra-prima de engenharia psicológica. O filme é dividido em três partes, cada uma recontando os eventos sob a perspectiva de um personagem diferente, o que espelha a natureza variada da verdade psíquica.
Essa estrutura não é um mero artifício de roteiro, mas uma ferramenta para expor os diagramas psíquicos das protagonistas e os embates internos que definem suas escolhas.
A primeira parte, contada do ponto de vista de Sookee, estabelece a premissa da traição e a crescente atração. A segunda, sob o olhar de Hideko, desvenda o controle reverso de seu plano.
A terceira fase, que une as perspectivas, é a síntese da verdade e a celebração da aliança. Essa alternância de ângulos é a própria dialética da análise, onde a verdade é construída pela confrontação de diferentes narrativas. "Fetichismo, corrupção do poder simbólico, desvela a sexualidade como campo de batalha social, onde o humano busca integração." Dan Mena
A erotização do conflito é central. O desejo entre Sookee e Hideko não é um luxo, mas uma necessidade, uma arma contra a articulação.
O conflito com o mundo externo (os homens) e a disputa interna (a traição, o medo) são os combustíveis para a paixão.
O filme nos ensina que, em um ambiente de violência estrutural, o amor e o desejo podem ser os atos mais radicais de resistência.
As rupturas traumáticas do passado de Hideko são reescritas no presente pela metáfora central da fuga e da cumplicidade, transformando a dor em potência.
Como a estrutura narrativa de três partes reflete a natureza fragmentada da memória e do trauma?
De que forma a erotização do conflito entre as protagonistas serve como um mecanismo de defesa e de libertação?
Qual a importância da reescrita do passado de Hideko (o plano de fuga) para a sua saúde psíquica e a superação do trauma?
"A narrativa é a cura, e a reescrita do próprio roteiro de vida é o ato mais corajoso de individuação que o sujeito pode empreender." Dan Mena

A Criada e a Inquisição do Inconsciente Coletivo
A obra de Park Chan-wook, com sua estética visceral, nos força a confrontar temas universais de opressão, desejo e libertação.
A trilha de Hideko e Sookee é uma poderosa alegoria da luta pela autonomia em um mundo que tenta constantemente nos reduzir a objetos.
A Catarse e a Libertação
O clímax do filme, com a punição dos opressores e a fuga das protagonistas, é um momento de intensa catarse para o espectador.
A destruição dos livros e a anulação do Tio Kouzuki e do Conde Fujiwara são atos emblemáticos que libertam não apenas as personagens, mas também quem assiste à tensão acumulada.
A cena final, com as duas mulheres em um navio, livres e em um ato de prazer compartilhado, é a celebração da pulsão de vida (Eros) que triunfa sobre a de morte (Thanatos). É a vitória do amor e da solidariedade.
O Legado de Park Chan-wook
O diretor consolida seu lugar como um mestre do thriller psicológico, utilizando a violência e o erotismo com um propósito social e político.
Nos mostra que a beleza pode coexistir com o horror, e que a libertação exige em alguns momentos alguma transgressão.
O filme é um legado de como a arte pode ser um veículo para a crítica contemporânea e a ponderação da psique.
Encerro por aqui, mas a inquisição do inconsciente continua. O filme nos deixa com miragens que incitam a perpetuar o pensamento.
O que o fascínio do público por histórias de vingança e subversão feminina trás sobre as insatisfações e as repressões do nosso próprio inconsciente coletivo?
Em que medida a nossa sociedade contemporânea ainda impõe a "Tirania da Perfeição" e o "Falso Self" às mulheres e a todos os indivíduos?
Qual o nosso papel, como espectadores e sujeitos, na desconstrução das estruturas de poder que continuam a objetificar o desejo e a sexualidade?
"A Criada" é um funil para olhar para dentro, para confrontar a nossa ''Sombra'' e celebrar a potência do desejo autêntico.
É um filme primoroso que não se esgota em uma única visão, mas que se renova a cada análise, a cada camada de significado que o inconsciente nos permite decifrar.
E assim, quando a última cortina se fecha, não somos prontamente devolvidos à nossa realidade, mas permanentemente alterados por terem habitado o universo transicional que Park Chan-wook arquitetou em nossa mente.
O que parece um desfecho, é um portal para onde carregamos as perguntas que o filme plantou em nosso inconsciente.
A chama que consome os livros pornográficos na biblioteca não é o fogo destruidor, mas labaredas alquímicas que transformam o voyeurismo em olhar mutualizado, a narrativa imposta em história reinventada, o corpo objetificado em território soberano.

A verdadeira revolução não está na vingança executada, mas na metamorfose interior. Sookee e Hideko não fogem da mansão, a extrapolam simbolicamente.
O que resta dos escombros não é a inocência restaurada, senão, uma consciência expandida. Compreendo que a principal mensagem radica em assimilar que a liberdade não se conquista destruindo o passado, mas dando releitura do seu real significado.
Park Chan-wook também deseja nos mostrar que ‘’a vida tem vida própria", que não somos senhores(as) em poder controlar nossa trajetória. Destarte, mostra que temos ferramentas de edição e que podemos lutar por reconfigurações.
Da biblioteca ardendo, nasce uma nova linguagem, onde o desejo deixa de ser verbo conjugado por outros para se tornar poesia escrita pelas próprias mãos.
O triunfo final não está na punição dos opressores, mas na sagrada ‘’magnus opum’’ que transmuta trauma em potência, submissão em cumplicidade, segredo em intimidade.
Nesse novo pacto, descobrimos a verdade mais radical: que a psique não é uma prisão, mas um caleidoscópio onde cada pedacinho de sombra, quando corajosamente integrado, compõe o mosaico infinito da liberdade do ser. "Desejo como falta primordial no social opressivo, transforma o trauma em verso, onde a sexualidade reivindica liberdade." Dan Mena
O inconsciente coletivo agradece, pois Park não quer nos entregar respostas simples, mas espéculos.
Nestes reflexos, somos condenados à liberdade de refazer nossas narrativas com a ousadia de quem aprendeu que toda revolução começa quando alguém ousa trocar as regras do jogo pela autoria do ‘’game’’ inteiro.
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Referências Bibliográficas utilizadas
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FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
MULVEY, Laura. Prazer Visual e Cinema Narrativo. In: XAVIER, Ismail (Org.). A Experiência do Cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1983.
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização. São Paulo: Penguin Classics, 2011.
LACAN, Jacques. O Estádio do Espelho como Formador da Função do Eu. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015.
WINNICOTT, Donald Woods. Desenvolvimento Emocional Primitivo. In: Da Pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
KLEIN, Melanie. O Desenvolvimento de uma Criança. In: Amor, Ódio e Reparação. Porto Alegre: L&PM, 2016.
BATAILLE, Georges. O Erotismo. São Paulo: Arx, 2004.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1995.
SAFATLE, Vladimir. O Circuito dos Afetos: Corpos Políticos, Desamparo e o Fim do Indivíduo. São Paulo: Cosac Naify, 2015.
FAQ - A CRIADA: ANÁLISE PSICANALÍTICA
O que significa a "Tirania da Perfeição" no filme? É a exigência sádica do Tio Kouzuki para que Hideko performe uma feminilidade idealizada, anulando seu verdadeiro eu.
Como a mansão funciona como dispositivo psicológico? A arquitetura híbrida representa o inconsciente reprimido, onde cada espaço físico corresponde a uma tensão psíquica.
O desejo entre Sookee e Hideko é autêntico? Sim, evolui de estratégia de manipulação para pulsão de vida que desafia a ordem patriarcal.
Como o filme subverte o voyeurismo? Transforma o olhar masculino em instrumento de crítica, expondo a violência por trás do desejo de controle.
O que representa a biblioteca secreta? É o útero simbólico do trauma, onde a sexualidade é transformada em espetáculo para consumo masculino.
Como funciona o "Falso Self" de Hideko? É uma máscara de submissão que protege seu Verdadeiro Self até encontrar ambiente seguro para emergir.
Qual o papel do fetichismo na narrativa? Os objetos (livros, luvas, sino) representam a tentativa falha de preencher a falta estrutural do desejo.
Como a aliança feminina opera psicologicamente? Funciona como uma holding terapêutica, oferecendo o acolhimento emocional que ambas foram privadas.
O que a queima dos livros simboliza? A destruição da linguagem patriarcal e a libertação do desejo feminino da estrutura de opressão.
Como o trauma é superado? Através da reescrita narrativa as mulheres recontam sua história, transformando dor em potência.
Qual a importância da estrutura em três atos? Espelha o processo psicanalítico onde a verdade emerge gradualmente através de perspectivas múltiplas.
Como a Coreia ocupada reflete na trama? A opressão colonial amplifica a opressão de gênero, criando camadas sobrepostas de dominação.
O final é uma vitória ou nova ilusão? É uma vitória real pois mostra a primeira vez que as mulheres agem por desejo próprio, não reativo.
O que é "gozo feminino" na perspectiva lacaniana? Prazer que existe fora da lógica fálica, representado pela sexualidade não-genital das protagonistas.
Como a Sombra junguiana se manifesta? Cada um projeta na outra qualidades reprimidas - Hideko vê em Sookee a liberdade que lhe falta. Palavras Chave
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Dan Mena – Membro Supervisor do Conselho Nacional de Psicanálise (CNP 1199, desde 2018); Membro do Conselho Brasileiro de Psicanálise (CBP 2022130, desde 2020); Dr. Honoris Causa em Psicanálise pela Christian Education University – Florida Department of Education, EUA (Enrollment H715 / Register H0192); Pesquisador em Neurociência do Desenvolvimento – PUCRS (ORCID™); Especialista em Sexologia pela – Therapist University, Miami, EUA (RQH W-19222 / Registro Internacional).





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